domingo, 28 de outubro de 2007

" Bruno, Carmen, Tobias"

A Carmen, má como as cobras, tornou-se professora primária

e mãe solteira de um menino chamado Armindo, apesar de

sempre se ter ouvido dizer pela boca do povo que nunca

arranjara homem. Toda a gente ficou surpreendida, porém,

quando anos mais tarde foi presa por tentativa de rapto de

um segundo filho e lhe foi retirada a custódia do primeiro.




O Bruno Anselmo na sua quietude e bom comportamento

seguiu a vontade do pai e foi para arquiectura, acabando por

se atirar de um andaime, após profunda depressão.




O Tobias, de quem pouco me recordo, por ser tão calmo

e recatado, muito cedo optou por passar à margem da

vida. Rapaz de boas famílias e exemplar formação,

tornou-se o padre de uma qualquer freguesia de Santa

Combadão.

Após anos de entrega ao serviço da fé e da evangelização,

decidiu pôr um fim ao seu amargo conflito com a dor e a

devoção e debaixo da batina para um casamento levou, um arsenal de explosivos que com um sorriso detonou.


"Guida e Jota"


A Guida e o Jota, orfãos de pai e mãe foram criados

por uma tia solteira e uma avó viúva de quem pouco se sabia.

Reza a história que devido a mau comportamento foram

Enviados para um colégio interno em Katowice,

De onde nunca mais saíram.

"Débora"

À Débora, um futuro radioso todos podiam prever – menina

bonita da professora, melhor aluno e desportista de alto

calibre – tornou-se, para irritação das suas conterrâneas

“Miss Ervedal da Beira” durante 7 anos consecutivos.

Acabou por se conformar a uma vida banal como funcionária

pública numa repartição de finanças. Até ao dia em que sofre

uma grave lesão, provocada por uma inesperada explosão de

um implante mamário.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

"Benedita, Célia"


A Célia, após anos e anos de martírio superprotector imposto

por seus pais , apaixonou-se por um dito jovem marinheiro

inglê, com quem namorou anos a fio em

correspondência por carta. no suposto dia do casamento,

o seu cavaleiro andante, nunca chegou a aparecer.



A Benedita nunca casou. Enveredou por uma carreira artística

onde se dedicou de corpo e alma à causa feminista, criando

performances e instalações arrojadas onde o seu próprio corpo

era o elemento central, submetendo-o a estados físicos

extremos para testar os seus limites.

Numa dessas performances, enquanto se esbofeteava a si própria

na tentativa de se evadir do seu corpo culturalmente determinado

e disciplinado, morreu com uma embolia cerebral.